Os miudos adoram alcunhas. Como se não bastasse os graudos também. É uma maldição que não parece ter fim à vista. Penso que na adolescência é quando as alcunhas doem mais. Eu tive mil e uma...desde as mais simpáticas às mais crueis. Mas uma coisa me parece comum em todos os grupos de amigos/colegas das décadas de 80/90...havia sempre um "bate na avó". Nunca cheguei a entender se era algum tipo de atalho para dizer que a criatura andava a "bater" outra coisa qualquer. Uma coisa era certa, nós as miudas, andavamos a bater os ovos com as novas batedeiras eléctricas que era a nova revolução para as donas de casa. Eu como era pobrezinha batia os ovos com um garfo ou uma enginhoca qualquer de arame que nunca me preocupei em saber o nome.
Nos 80s eu queria lá saber de etiquetas. Sabia-me bem aos ouvidos, às ancas, aos pés e o resto que se lixasse! Lembro-me de adorar Fafa de Belem, bem antes daquela fase horrivel do "Vermelho". Mas não eram as únicas brasileiradas que gravava em k7, aliás, um destes dias tenho mesmo de fazer um especial "música dos 80s brasileira de meter nojo....muito nojo" para o desgosto dos escassos ouvintes que se atrevem nesta aventura semanal. Só há pouco tempo numa conversa via net com um elemento da Rádio Zero (bem mais novo que eu), é referido o termo Euro-Disco...como se toda uma sonoridade com a qual eu delirava passasse a ter finalmente uma designação, uma etiqueta....é como se tivesse encontrado o nome para a merda...sem ter de recorrer a uma asneirola foleira, que diz tão pouco sobre mim. Mas do que é que eu estou à espera....mais de um ano a fazer as emissões da Pretty in Pink, chamar a um género musical "arroz com grelos", "euro-disco" ou até "merda às pazadas" vai dar ao mesmo, não é?
Ainda hoje sonho (pesadelo) com o teledisco dos Scorpions "Still Loving you" com os gajos lá no cimo de um penhasco e eu a fazer figas para que caissem de vez e passassem mas é o "Like a Virgin" da Madonna, bem mais sexy e a rebolar-se num gondola na malcheirosa Veneza. Gostar dos Scorpions engloba uma série de outras bandas estereótipadas - Dire Straits, Pink Floyd, Gary Moore e outros tantos barrascos que transformam cada solo de guitarra num acto de exibicionismo público, tal e qual os velhinhos que vinham a correr atrás de nós à saída da escola a querer mostrar a deprimente farinheira mirrada. Pior que tudo isto é haver ainda quem os queira ouvir. Os Scorpions estiveram este mês no Pavilhão Atlântico em Lisboa e não é que encheram?
Pois que tu nasceste para ser a minha “bébé” e querida eu nasci para ser o teu homem! O machismo no seu pleno e nós adolescentes tontas a delirar com a possibilidade de sermos propriedade de um qualquer marmelo com a peitaça peluda qual Jon Bon Jovi. Posto isto, muitas de nós, conseguiram os seus machos para a vida, um porto de abrigo latino. Enquanto que outras redescobriram uma nova dimensão nas relações amorosas embora continuem a escutar com saudosismo aquelas letras pirosas dos 80s em que a palavra “baby” era usada até à exaustão! Bon Jovi – Runaway; Born to be my baby
Dead or Alive – You spin round round like a record baby
ABC – Poison Arrow
Rick Astley – Together Forever
Stephanie do Mónaco – Flash
Wham! – Last Christmas
New Order – True Faith
Eight Wonder – I’m not scared
Pet Shop Boys – It’s a Sin
José Malhoa – 24 Rosas
Marco Paulo – Sempre que brilha o Sol; Eu tenho dois amores
Esta sequência de música representa tudo o que eu odiei até há poucos anos atrás. Chamam-lhe Euro-Dance, Euro-Disco para mim era o Euro-Trampa. Mas foi assim parte da história do início dos anos 90 nas pistas de dança. As pessoas andavam meio azargalhadas e dançavam qualquer coisa. Critérios de selecção, o que era isso? Uma coisa é certa quer se goste ou não foi a ouvir alguns destes projectos que muitos dos actuais talentos da música electrónica surgiram...nem que seja por isso vale a pena prestar-lhes uma homenagem.