Não sei de onde veio o meu fascínio pela androginia, pelo que não é carne nem peixe, mas talvez tenha começado quando vi uma miuda gira que por acaso tinha nome de rapaz. Em conversas com coleguinhas da escola disseram que afinal era um homem que conseguia ser mais feminino que muitas mulheres, sem ser traveca. "Karma Kameleon" mexia comigo e aquele "karma karma karma..." sem fim deixava-me nas núvens. Actualmente não é a minha música favorita dos Culture Club, prefiro "War Song" ou a balada "Love is Love" que faz parte da banda sonora da película dos 80s "Electric Dreams" com a minha actriz favorita Virginia Madsen. É inevitável mas quando me lembro da sequência em que "love is love" domina fico com um arrepio na pele, pela irreal declaração de amor (única e inocente) de um computador que se apaixona por um humano.
Acordei para a música com Madonna. “Like a Virgin” era um dos telediscos que mais passava na RTP1 a par com “Still Loving You” dos Scorpions. É claro que a gata da pop fez os meus olhos brilhar – ainda por cima adoro felinos – e que leoa era aquela que se rebolava numa típica barcaça em Veneza? O nome era tão fácil de fixar e o som contagiante, nunca ouvira nada igual. A respiração arfante, os guinchos, as melodias que não me saíam da cabeça – senti-me uma criança na loja dos brinquedos – cada vez que via a musa com a maquilhagem carregada e os crucifixos nas coreografias ainda toscas que mais pareciam uma aula de dança jazz. É estranho imaginar que Madonna pudesse ser minha mãe pois tem a mesma idade que ela. São mulheres completamente diferentes e o meu amor por ambas também é distinto sendo que – fora as questões de sangue - sempre vi Madonna como um elemento da minha família. Quando ela estava bem eu estava bem, quando ela estava menos bem eu lamentava e não podia deixar de acreditar que um dia ela e o Sean Penn acabariam por fazer as pazes. Não sei porquê mas sempre achei que eram farinha do mesmo saco e ainda hoje secretamente gostava que se reencontrassem.
Foi editada uma biografia acerca dos 50 anos da Diva – até custa a crer – e é claro que eu tinha de comprar mesmo que o preço não fosse nada apelativo. Chama-se “Like an Icon” e tenho a certeza que quem gosta de Biografias como eu vai deliciar-se com esta – mesmo que não seja especial fã de Madonna. Neste livro somos levados a viajar por todos os locais por onde Madonna passou, especial incidência nos primeiros anos na Nova Iorque dos anos 70.
Madonna – Like a Virgin;
Eight Wonder – I’m Not Scared
Vanessa paradis - Be My Baby
Belinda Carlisle - Heaven is a Place on Earth
Sam Brown - Stop
The Primitives - Crash
Stevie Nicks – Talk To Me
Vixen - Love is a Killer
Pretenders - Don't Get me Wrong
The Divinlys - I touch Myself
Heart – What About Love?
O principio era...Pedro Marin e só depois é que chegou o Mika e arrasou com as tabelas. Sim encontrei algures nas minhas antiguidades uma música de gosto muito duvidoso chamada "Que No", uma verdadeira pérola data de 1980. Pois que Marin pulava, abanava, acenava...ele era todo maneirismos que deixavam as fans espânicas possuidas. Confesso que ao ouvir esta música, depois de mais de 20 anos de não lhe pôr os ouvidos em cima, dei comigo a estremecer os ombros numa dança frenética e altamente pirosa. Era apenas o inicio de uma verdadeira diarreia musical onde se recuperam novamente as espanholadas, desta vez com o El Chato, os reis da cassete pirata nos 80s. Haja coragem...
Os anos 80 foram anos experimentais do cinema, especialmente na área de ficçao científica. Os grandes efeitos especiais foram iniciados em 70s e amplamente utilizados em 8os sendo que em 90s o salto foi brutal e qualitativo. Mas não é essa a temática que me move, aliás, detesto filme de ficção científica. Porem, adoro aquelas peliculas muito manhosas para adolescentes que emergiram no final de 70s e que em 80 explodiram sob a batuta de John Hughs qual maestro para novos talentos na representação. Nunca mais se fez cinema com esse espírito e do melhor que se fez nos últimos tempos foi, talvez, "American Pie", mais a fazer lembrar o "Porky's" e as respectivas sequelas. Mas não era esse o espírito dos filmes do Hughs...é uma década passada no tempo mas não no coração dos muitos fans ( e saudosistas) que reúne à volta do Mundo.