A emissão desta semana poderia ter sido gravada algures na casa de banho tal é a má captação de som. A culpada, uma tal de pretty in pink, que anda a fazer experiências com uma maquineta infernal que mandou vir das Américas. Resultado, uma gravação lastimável por culpa exclusiva da doce criatura de cabelo multi-color.
A Pretty in Pink retoma as emissões e os convidados especiais. Nesta nova série de convidados começamos com a “Chica mala”, espanhola de gema está em Portugal a fazer um programa de voluntariado. Como qualquer espanhol ouve essencialmente música do seu país pelo que arrancar-lhe uma playlist de temas anglo-saxónicos e ainda mais datados foi uma tarefa lenta, mas chegamos a um número de canções satisfatórias, e com a qual “Chica Mala” sente-se identifica. Com 24 anos esta jovem de Barcelona não viveu os 80s no seu pleno, mesmo assim, fez questão que George Michael estivesse no programa. “Faith” foi a escolha e embora a foto seja da era Wham!, parece-me importante referir que nessa altura nós as fans tínhamos realmente “fé” que ele não fosse “rabiru”. Mal sabíamos que temas como “everything SHE wants” seriam provavelmente “everything HE wants” entrelinhas. Depois foi sempre a descer até ser encontrado algures num WC público nas mariquices com um polícia. A Pretty in Pink tal como a “Chica Mala” assume sem pudor que adora o Jorge Miguel e cada um come por onde tem fome.
A Europa estava a levar-se ao limite na década de 80. Se por um lado havia a pop pastilha elástica de consumo imediato, por outro haviam os experimentalistas que pegavam em batidas contagiantes e testavam-nas nas pistas de dança. Resultaram imediatamente e hoje são vistos como pioneiros da electrónica. Os miúdos que agora têm uma banda de garagem vão beber muito ao que bandas como OMD ou New Order fizeram nos 80s. O mais curioso é que muitos nem se apercebem dessa influência pois a nova geração já vem com as batidas electrizantes a ecoar na cabeça…talvez as vibrações dos discos dos pais, seguidores da década de ouro tenham passado pela massa do sangue. A verdade é que devemos tudo aos senhores que começaram por fazer experiencias ao qual muitos chamaram de barulho!
Cresci a ouvir Linda de Suza. Bem não fez mal ainda não sabemos. A ver vamos, mas neste passado vergonhoso às vezes há o que chamam de "danos colaterais". Mais tarde quando deram uma série televisiva acerca da vida de Linda de Suza chamada precisamente "La Valise En Carton" eu segui religiosamente e algumas cenas ainda constam na minha memória. Como se isso não fosse suficientemente mau dei comigo a comprar via internet a versão DVD da série. Há coisas do passado que podem ser desculpaveis pela inocencia da idade. Como explicar esta situação? Bom, talvez tenha de me assumir azeiteira, parar de dizer que esta música que passa no Pretty in Pink mete nojo e revelar que é o que oiço com redobrado prazer. E agora?